A mineira nascida em Belo Horizonte, mas com raízes fortes na política gaúcha, Dilma Vana Roussef (PT) é a nova presidente eleita do Brasil. Com mais de 96% dos votos apurados, Dilma já alcançava mais de 8 milhões de votos na frente de José Serra (PSDB). No Rio Grande do Sul perdeu para Serra por uma pequena diferença. Mesmo ganhando no maior colégio eleitoral do país - São Paulo - José Serra não conseguiu suprimir a vantagem do governo Lula, reflexo da vitória de Dilma nas urnas no segundo turno.
Ligada à política desde cedo, Dilma participou do movimento estudantil em 1964, com apenas 16 anos de idade.
Em 1970, em São Paulo, Dilma foi presa pela Ditadura Militar, sendo condenada a seis anos de prisão.
Absolvida de parte da pena, no Rio Grande do Sul, Dilma retorna à cena política, quando ajuda a fundar o Partido Democrático Trabalhista (PDT), do qual desfrutou o primeiro cargo público, ao lado do prefeito Alceu Collares, na Secretaria da Fazenda.
Dilma se filhou ao Partido dos Trabalhadores em 2001, quando Tarso Genro assumiu a prefeitura de Porto Alegre. O bom desempenho nas administrações do Rio Grande do Sul chamou a atenção do presidente Lula, que a chamou para Ministra de Minas e Energia. Em 2005, depois dos escândalos do "Mensalão", Dilma assume a Casa Civil, o segundo maior cargo eletivo do país, do qual abriu mão para concorrer à presidência, eleita ontem com mais de 55% dos votos válidos. Segundo Lula, Serra sai "menor" deste embate.
A vitória da "luz" própria
Para o sociólogo Cesar Goes, do departamento de Ciências Humanas da Unisc, a continuidade de um governo é sempre um "desafio", especialmente quando esse conta com uma popularidade muito grande. "É difícil fazer a diferença do presidente Lula, que termina seu governo com 80% de aprovação", destaca Goes. Segundo ele, o principal desafio de Dilma Rousseff foi justamente esse.
Segundo Cesar Goes, o Partido dos Trabalhadores, que sempre esteve à margem da preferência nacional mudou nas eleições de 2002, quando o primeiro representante do PT chegou ao maior cargo político-eletivo do Brasil. "É consenso dizer que a 'Carta aos Brasileiros' marcou esse fenômeno do fim do PT como partido estigmatizado", sublinha o sociólogo.
Em sua análise, Goes afirma que a aprovação de Lula se deve aos oito anos de trabalho intenso, com destaque para o programa Bolsa Família, que, segundo ele, é sempre o mais citado.
Mulher - Dilma entra para a história como a primeira mulher eleita à presidência do Brasil. "Entramos para um lugar histórico, que muitos países irmãos já fizeram antes de nós", aponta César, ao lembrar do Chile e da Argentina.
Alinhamento - Pela primeira vez, Santa Cruz do Sul, Rio Grande do Sul e a União estão em uma espécie de alinhamento político, com algumas ressalvas, dada à coligação PTB - PT estar no governo do município. "Santa Cruz deverá usufruir de um momento histórico", diz Goes, ao ressaltar que as 'trocas de favores' e o "trato rudimentar" com a política municipal interferem nesse 'alinhamento'. "Mas acredito que no todo, esse cenário será promissor".
Em Santa Cruz, segundo turno é marcado pela tranquilidade na votação
Poucas filas e nada de lixo nas ruas. Uma cena um pouco diferente do início do mês de outubro, quando aconteceu o primeiro turno das eleições presidenciais. Dessa vez, o município não registrou nenhum problema com relação à votação. Das mais de 400 urnas da 40ª e 162ª Zonas Eleitorais, com sede no município, apenas uma, em Sinimbu teve de ser substituída.
Repetindo a prática do dia 3 de outubro, o promotor da 40ª Zona, Júlio César Vieira Medina, acompanhou a votação em algumas sessões no centro de Santa Cruz, quando falou à reportagem do Diário Regional. "Está tudo muito tranquilo com a diferença que a cidade está limpa", destacou o promotor na manhã de ontem.
A observação é pontuada pelo chefe do Cartório Eleitoral, também da 40ª Zona, Jaime Melchiona. "Não tivemos nenhum problema, a não ser a urna que foi substituída no município de Sinimbu", avalia Jaime.
A primeira - Dessa vez, a primeira urna a chegar no Cartório Eleitoral de Santa Cruz, foi da Sessão 180, localizada na Escola Estadual Ernesto Alves, no Centro. A presidente da sessão, Jaqueline Inês Hoffmann Arend, trouxe os primeiros 320 votos computados em Santa Cruz. Por causa da diferença de fuso horário e da implantação do Horário de Brasileiro de Verão, até as 19 horas, o Tribunal Superior Eleitoral (TSE) não divulgou os números da votação, devido à votação em Estados como o Acre.
Abstenção histórica no Estado
Segundo o Tribunal Regional Eleitoral (TRE) de Porto Alegre, o índice de abstenção dos gaúchos no segundo turno foi o maior já registrado em eleições no Estado. Com 99,97% das urnas apuradas, mais de um milhão e 400 mil eleitores abriram mão de votar, o que representa 17,71%.
Em Santa Cruz, o índice de abstenção ficou em 15,45%. Para muitos santa-cruzenses, o dia 31 de outubro foi também data de trabalhar.
É o caso de Natália Fritsche, que votou logo cedo e partiu para o trabalho. "Como não tenho feriado, para mim votar, além de uma obrigação, passou a ser necessária, por não ter justificativa para viajar", pontua. Junto com ela, a técnica em enfermagem, Ivanilda Santos Ferreira, afirmou que não tinha outro programa, a não ser votar no domingo. "É uma obrigação de todo o cidadão, indiferente de estar ou não de folga", sublinha.
Quem compartilha da mesma opinião é o casal João Pedro e Aidi Noeli de Carvalho. Ambos, com planos de passear, passaram primeiro pelas urnas. "É um dever cívico de todos nós. Não tem como ir descansar antes de cumpri-lo", destaca João Pedro. Voto computado, o casal vai para o interior de Santa Cruz, onde ficará até o fim do feriado prolongado.
Exemplo de quem não precisa mais
Para a comerciante aposentada Lisalota Maria Iserhardt, de 81 anos, a obrigatoriedade do voto acabou há pelo menos seis eleições. Contudo, ela diz que continua motivada a eleger os representantes dela no governo. "Porque não haveria de votar?" - questiona a aposentada, assim que confirmou, em menos de 10 segundos, sua intenção para o futuro do Brasil.
"É nosso papel promover a mudança e ela só pode acontecer através do nosso voto. É como a vida, as coisas vão se alternando, a partir de nossas escolhas", ensina, com a sabedoria dos anos, que os cabelos brancos não escondem. "Em quanto eu puder, vou continuar votando", finaliza.
Poucas justificativas
Até o fim da manhã de ontem, nos postos de justificativa, instalados junto às sessões eleitorais de Santa Cruz, o movimento para a justificar o voto era considerado pequeno.
Segundo à servidora do cartório eleitoral, Maria Fiuza, do setor de justificativas da 40ª Zona, no primeiro turno o acesso ao serviço foi muito maior. "Justifica que está fora de seu domicílio eleitoral", explica Maria.
Segundo ela, quem não votou, tanto no primeiro turno, realizado no dia 3 de outubro, quanto na eleição de ontem, tem 60 dias para regularizar sua situação junto ao Cartório Eleitoral. Em Santa Cruz, o cartório funciona junto ao Fórum, na esquina das ruas Fernando Abot com a Venâncio Aires e atende do meio-dia, às 19 horas, de segunda à sexta-feira.
Fonte: Rodrigo Nascimento / Diário Regional
Data: 31/10/2010
O “v” de vitória foi feito na manhã de ontem, em Porto Alegre, ao lado de Tarso Genro
Grande movimento, mas sem filas ou maiores problemas nas sessões de Santa Cruz
Posto localizado junto ao Colégio São Luís teve pouca procuraDiário RegionalRua Professor Ivo Radtke, 68 Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600
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