As chuvas na Região Serrana do Rio deixaram 400 mortos desde terça-feira. A situação das cidades atingidas é de calamidade pública e o governo está se mobilizando para ajudar às vítimas do desastre.
A edição de ontem do Diário Oficial da União traz a medida provisória que libera R$ 780 milhões para os municípios do Rio de Janeiro e São Paulo atingidos pelas chuvas. Do total de recursos, R$ 700 milhões serão destinados ao Ministério da Integração Nacional para aplicação em ações da Defesa Civil, sendo R$ 100 milhões apenas para prevenção de desastres naturais. A MP também libera R$ 80 milhões para o Ministério dos Transportes. Os recursos serão aplicados na recuperação de rodovias afetadas por enchentes e desabamentos.
O ministro do Trabalho, Carlos Lupi, também anunciou ontem a liberação de recursos do Fundo de Garantia por Tempo de Serviço (FTGS) para as vítimas da tragédia na Região Serrana do Rio de Janeiro e para moradores de cidades com decreto de situação de emergência ou estado de calamidade pública em qualquer outra região do país. Cada trabalhador terá direito a sacar até R$ 4.650,00, correspondente ao valor dez salários mínimos de 2009. A liberação entra em vigor hoje. “A liberação é imediata. Os moradores podem procurar a partir desta sexta as agências da Caixa Econômica para sacar os recursos”, disse Lupi.
Outra ajuda vem com o anúncio do Secretário Estadual do Ambiente, Carlos Minc: os programas habitacionais dos governos federal e estadual oferecerão cerca de 1,4 mil casas para os desabrigados.
Atendimento médico
Para ajudar no atendimento às vítimas, o governo federal está enviando mais de 7 toneladas de medicamentos e insumos ao Rio de Janeiro. De acordo com o Ministério da Saúde, os 30 kits enviados – compostos por antibióticos, anti-inflamatórios, antiparasitários, analgésicos, antitérmicos, anti-hipertensivos, ataduras, esparadrapos, luvas, máscaras, catéteres e seringas – são capazes de atender 45 mil pessoas durante um mês.
Sobrevoo
A presidente Dilma Rousseff e os ministros da Defesa, Nelson Jobim, e da Saúde, Alexandre Padilha, viajaram na manhã de ontem para o Rio de Janeiro. Eles fizeram um sobrevoo nas áreas atingidas pelas chuvas na Região Serrana do Estado.
Força Nacional
Pelo menos 225 homens da Força Nacional embarcaram ontem para o Rio para auxiliar nas buscas por vítimas e na manutenção da ordem pública nas áreas atingidas pelos temporais no Estado.
A ajuda vem de todos os lados
Uma campanha envolvendo postos rodoviários, supermercados, abrigos, ongs e prefeituras estão sendo mobilizadas a fim de receber donativos para ajudar às vítimas da chuva na Região Serrana do Rio de Janeiro (RJ). A Prefeitura de Teresópolis abriu uma conta exclusiva para receber as doações. Com o nome de “SOS Teresópolis – Donativos”, a conta corrente está disponível na Agência 0741-2 do Banco do Brasil, com o número 110000-9. Segundo a prefeitura, são aceitas ajudas de qualquer valor.
Depoimentos das vítimas da chuva no RJ
A forte chuva que atingiu a Região Serrana do Rio de Janeiro matou mais de 400 pessoas desde terça-feira e deixou milhares de desabrigados. A seguir, os depoimentos das vítimas do desastre que foram divulgados no Portal G1.
“Acho que perdi tudo. E se não perdi, não tem jeito, porque não posso voltar lá e pegar minhas coisas. Tem lama até o pescoço.”
Elizabete Carvalho
Teresópolis
“Em pouco mais de 15 minutos, tudo que era conforto virou um brejo, lamaçal. A água invadiu tudo, destruindo, arrasando tudo o que tínhamos. Mas são coisas materiais. Podemos reconstruir tudo. Felizmente conseguimos sair a tempo.”
Nelson Machado de Souza
Petrópolis
“Eram pessoas desesperadas, querendo se salvar, enquanto aquela tromba d’água vinha arrastando tudo, violentamente. Eu aqui de cima, vendo tudo, sem poder fazer nada. Vi a água levando muita gente, até uma criança recém-nascida.”
Marciano Santos da Costa
Petrópolis
“Ficamos ilhados no temporal dessa madrugada. Muitos bairros estão acabados, não sabemos a proporção da tragédia, mas conheço duas pessoas que morreram. Minha prima ligou dizendo que tem corpo na rua, que tem pontos com água até o teto”.
Natascha Cristina Santos Quintanilha
Teresópolis
“Está um caos total. A gente está sem comunicação, sem energia. A gente não consegue falar com as autoridades. No entorno de onde eu moro, já foram retirados quase 15 corpos, mas a gente sabe que tem mais.”
Gabriel Mafort
Nova Friburgo
“Aqui onde moro, na rua José Tessarollo dos Santos, está com uns dois metros de água. Na garagem do meu prédio está com uns 60 a 75 centímetros de água, sendo que esta garagem deve ter um metro acima do nível da rua.”
Renato Luiz Ribeiro
Nova Friburgo
Fonte: Diário Regional
Data: 13/01/2011
Diário RegionalRua Professor Ivo Radtke, 68 Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600
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