Muitas crianças em idade escolar apresentam certas dificuldades para realizar determinadas tarefas, que podem surgir por diferentes motivos, como problemas na proposta pedagógica, problemas familiares, déficits cognitivos, problemas psicológicos, falta de motivação, baixa auto-estima, dentre outros.
Mas a presença dessa dificuldade não implica necessariamente num transtorno, pois esse se traduz por um conjunto de sinais que provocam uma serie de perturbações no aprender da criança, interferindo no processo de aquisição e manutenção de informações de uma maneira muito acentuada.
Conforme a psicóloga Maria Angélica Marmitt, os transtornos de aprendizagem compreendem uma inabilidade específica, como de leitura, escrita e matemática em indivíduos que apresentam resultados significativamente abaixo do esperado para seu nível de desenvolvimento, escolaridade e capacidade intelectual.
Ainda segundo Angélica, as causas para os transtornos de aprendizagem ainda não estão bem esclarecidas. “Acredita-se na origem a partir de distúrbios na interligação de informações em várias regiões do cérebro. Mas não tem uma causa definida, acredita-se que os fatores biológicos e genéticos são a principal causa”, explica.
Angélica explica ainda que, desde os primeiros anos de vida, a criança demonstra que tem algum atraso de desenvolvimento. “A primeira coisa a fazer é observar a criança no que se refere ao desenvolvimento da linguagem oral”, salienta. “Crianças com atraso significativo nessa área podem apresentar dificuldades na aquisição da linguagem escrita e na habilidade de leitura mais tarde”, completa.
Outra questão apontada pela Psicóloga é que, os pais procurarem manter contato próximo com os filhos, o que é cada vez mais difícil nos dias de hoje. “O ideal seria que percebessem as alterações de linguagem em casa, antes dos professores e que lessem para as crianças”, sugere. Além disso, a leitura serve de instrumento para verificar a capacidade que elas têm para lidar com as palavras, reforça.
Os manuais diagnósticos atualmente apresentam três tipos de transtornos específicos: a dislexia (de leitura); a discalculia (de matemática), e a disgrafia (de expressão escrita). “A dislexia é a mais comum”, pontua Marmitt.
A profissional ainda pontua sobre como diagnosticar o problema. “Na área psicológica existem vários testes que dão um diagnóstico correto do que de fato a criança tem”, ressalta. “Dependendo dos resultados desses testes, muitas vezes é possível, por exemplo, diagnosticar casos de dislexia, na qual a queixa vem da escola, como suspeita de Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH), e o teste diagnostica esses transtornos. A partir disso, aponta-se qual a melhor indicação, tanto terapêutica, quanto didática”, enfatiza Angélica.
O importante é ter um diagnóstico precoce. Quanto mais precoce o diagnóstico, melhores as condições para intervir. É mais difícil tratar uma criança de dez, dozes anos com dislexia fonológica, do que uma de seis ou sete anos.
Devemos destacar também que uma criança, que desenvolve um dos transtornos, pode vir a ter outros. “Nem sempre a criança terá mais de um transtorno, mas muitas vezes uma criança disléxica pode também desenvolver discalculia, pois tem uma falha na compreensão de enunciados”, destaca.
Fonte: Luciana Mandler / Diário Regional
Data: 21/03/2011
Crianças com transtornos, desde os primeiros anos demonstram que tem algum atraso de desenvolvimento
Maria Angélica Marmitt, psicólogaDiário RegionalRua Professor Ivo Radtke, 68 Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600
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