Algumas crianças sofrem devido a algum transtorno para aprender. Neste caso, abordaremos três dos mais comuns: dislexia, discografia e discalculia. Para que melhor entendamos cada um desses transtornos, a psicóloga Maria Angélica Marmitt, explicará cada uma.
A dislexia, de acordo com a profissional, é um comprometimento acentuado no desenvolvimento das habilidades de reconhecimento das palavras e da compreensão da leitura. “O diagnóstico é realizado somente se esta capacidade interferir significativamente no desempenho escolar ou nas atividades da vida diária, que requerem habilidades de leitura”, explica.
Nesse distúrbio, a compreensão da leitura é afetada. “Podem ser identificadas já na 1ª série”, pontua. Ainda, conforme Angélica é no ambiente escolar que as dificuldades aparecem de forma crucial, e mais, não há plena cura para esse transtorno.
A Psisóloga sugere que o mais importante é garantir uma série de adaptações pedagógicas na escola. “O disléxico deve progredir na escolaridade, independente de sua dificuldade na leitura e escrita”, ressalta. É importante também, evitar problemas de frustração e baixa auto-estima.
Dar atenção especial ao aluno é fundamental. “Seria importante sentar próximo ao professor; destacar aspectos positivos em seus trabalhos; uso de matérias que permitem visualizações para acompanhar o texto impresso; evitar a cópia de textos longos; realizar avaliações orais; valorizar o trabalho pelo seu conteúdo e não pelos erros de escrita”, esses são alguns pontos importantes para auxiliar nas dificuldades dessa criança.
Já para os baixinhos que sofrem de disgrafia, o tratamento requer uma estimulação lingüística global e um atendimento individualizado complementar a escola. “A disgrafia refere-se à ortografia e é uma das formas de dislexia. Nesse transtorno, geralmente existe uma combinação de dificuldades na capacidade de compor textos escritos, evidenciada por erros de gramática e pontuação dentro das frases, má organização dos parágrafos e múltiplos erros ortográficos”, esclarece Marmitt.
Angélica frisa que os pais e os professores devem evitar repreender a criança. “Reforçar o aluno de forma positiva sempre que conseguir realizar uma conquista”, coloca. Neste caso também vale avaliar o aluno, dando mais ênfase à expressão oral; evitar o uso de canetas vermelhas na correção dos cadernos e provas; e conscientizar o aluno de seu problema e ajudá-lo de forma positiva.
Há ainda a discalculia. “Discalculia é a dificuldade para a realização de operações aritméticas, calculo e raciocínio matemático, encontrando-se inferior à média esperada para a idade cronológica, capacidade intelectual e nível de escolaridade do indivíduo”, pontua a Psicóloga.
A causa também é genética e orgânica. A dislexia também pode levar a criança a ter discalculia, pois não compreende os enunciados, informa Angélica Marmitt. Para que o professor ajude seu aluno, a profissional dá algumas dicas: não force o aluno a fazer as lições quanto estiver nervoso por não ter conseguido; explique a ele suas dificuldades e diga que está ali para ajudá-lo sempre que precisar; proponha jogos na sala; mão corrija as lições com canetas vermelhas ou lápis; e procure usar situações concretas, nos problemas.
Os professores têm papel fundamental para qualquer um dos tipos de transtornos citados anteriormente. Muitas vezes com a dedicação e o conhecimento de como manejar com alunos com tais distúrbios, o professor pode fazer com que o aluno avance e muito em suas dificuldades. É importante que os professores tenham conhecimento dessa psicopatologias.
Angélica acrescenta ao dizer que, o psicólogo também pode auxiliar, ajudando a elevar sua auto-estima, valorizando suas atividades, descobrindo qual o seu processo de aprendizagem através de instrumentos que ajudarão em seu entendimento. “E os jogos, para ajudar na seriação, classificação, habilidades psicomotoras, habilidades especiais e contagem”, revela.
Para que a criança possa aprender, sem ser prejudicada, é fundamental explicar que suas dificuldades têm um nome: dislexia, disgrafia ou discalculia. E que os pais podem ajudá-lo a superá-las, mas que ele é o principal agente desta mudança.
A psicóloga Angélica aconselha que os pais encorajem seus filhos e encontre atividades em que ele se saia bem, estimulando-o nessas atividades. “Elogiar por seus esforços; ajudá-lo no seus trabalhos escolares, ou em algumas lições em especial, com paciente (mas não escreva para ele nem resolva suas tarefas de matemática)”, sugere.
Ajudá-lo a ser organizado, também contribui para evoluções. Encoraje-o a ter hobbies e atividades fora da escola, como esportes, música, fotografia, desenhos, dentro outros. Angélica finaliza reforçando que, os pais observem se o filho está recebendo ajuda na escola, porque isso faz muita diferença na habilidade dele de enfrentar suas dificuldades, de prosperar e de crescer normalmente.
Fonte: Luciana Mandler / Diário Regional
Data: 21/03/2011
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