Sábado, 19 de Maio de 2012
Bom dia , 11h 19min
Santa Cruz do Sul, RS
Siga o Diário Regional no Twitter

Editorias

Colunas

Mais

Sobre

Você está aqui: Página Inicial > Economia > Crise sem saída aparente

| Economia > Economia

Diminuir a fonte  Aumentar a fonte

Crise sem saída aparente




Desde a falência do banco norte-americano Lehman Brothers, em 15 de setembro de 2008, o mundo ainda não conseguiu estagnar a crise financeira desencadeada pelo episódio.
Os Estados Unidos, berço do colapso, e a Europa são os que mais sentem os efeitos daquele abalo econômico. E, até o momento, as lideranças dessas duas maiores potências econômicas não encontraram uma solução para colocar seus respectivos sistemas financeiros novamente nos trilhos.
Com isso, como vivemos num universo globalizado, a crise continua respingando em todas as nações, elevando assim os níveis de desemprego e pobreza, e provocando incertezas quanto ao futuro da economia mundial.
Para falar sobre esse cenário, o Diário Regional ouviu o ex-diretor da revista britânica The Economist e atualmente consultor para assuntos internacionais, Bill Emmott. Ele respondeu às seguintes questões, por e-mail, enquanto viajava de Londres para Tóquio. 
DR – O abalo nos sistemas financeiros dos Estados Unidos e da Europa resulta de uma crise de lideranças?
Bill Emmott - É o resultado da complacência de empresas financeiras, combinado com a política monetária e a regulação financeira ruim em ambos os continentes após o recesso de 2001 da internet/Nasdaq.
DR – O senhor acredita que manifestações como a do grupo Ocupa Wall Street, que pede uma ação rápida para conter a crise financeira vigente nos EUA, possam ter algum efeito prático?
Emmott - Não diretamente, mas com o desemprego elevado, a evidência do descontentamento popular sobre a desigualdade e o desemprego afetará certamente o que os políticos tentam oferecer nas democracias.
DR – Aliás, essas manifestações estão se espalhando pelo mundo. Percebe-se alguma semelhança com as revoltas de Maio de 1968?
Emmott - Ainda não: esses protestos são muito menores. Mas eles podem crescer.
DR - Como países emergentes, como o Brasil, devem se prevenir contra a crise? 
Emmott – O comércio sul-sul é uma proteção importante, mas ao mesmo tempo, os países emergentes, como o Brasil, não devem esquecer de manter as suas próprias políticas macroeconômicas orientadas pela estabilidade, mantendo a inflação sob controle, os déficits orçamentais modestos, e a regulamentação financeira firme. Em outras palavras, devem se certificar de que seus próprios sistemas são fortes e estáveis.
DR - Muitos analistas afirmam que a China será a nova potência econômica do mundo. Porém, o sistema financeiro chinês também está sofrendo com a crise. Qual sua opinião?
Emmott - Certamente, a China se tornará a maior economia do mundo, em breve. Mas isso não a torna a nova potência econômica do mundo. Para obter esse título, ela precisaria ser mais inovadora, permitindo mais liberdade para as empresas privadas, conquistando assim a confiança de outros países. Graças à alta poupança interna, acho que o sistema financeiro da China é muito bem isolado da crise mundial. Mas é claro que as dívidas do governo subiram muito nos últimos anos, especialmente ao nível do governo local, o que reduz o espaço de manobra das autoridades chinesas se houver uma nova crise mundial.
DR - E como a atual crise econômica pode ser freada?
Emmott - A chave para frear a crise está na Europa, que é a região onde os maiores problemas financeiros são encontrados, e onde as incertezas sobre a solvência bancária e a sobrevivência do euro são maiores. Isso significa, realmente, que a Alemanha e a França são as lideranças que devem agir para estagnar a crise.
DR – Qual deveria ser o sistema financeiro ideal para um mundo globalizado?
Emmott - O sistema financeiro precisa ser aberto, com poucas barreiras ao movimento de capital através das fronteiras, mas com instituições financeiras estreitamente regulamentadas e com as transações transparentes. A crise de 2008 foi muito pior pela falta de transparência.
DR – A propósito, a globalização deve ser preservada?
Emmott – Sem dúvida. A globalização deve ser preservada, uma vez que oferece a maior chance de centenas de milhões de pessoas saírem da pobreza durante este século.
 

Fonte: Fernando de Oliveira / Diário Regional

Data: 25/10/2011


Imagens relacionadas

  • Fantasma da crise econômica de 2008 ainda assola o mundo
  • Bill Emmott é autor do livro Visão 20:21 – Lições do Século 20 para o Novo Milênio

Gostei, quero ...

  • Imprimir esta notícia Imprimir
  • Indicar esta notícia Indicar
  • Comentar esta notícia Comentar
  • Avaliar esta notícia Avaliar
  • Compartilhar Compartilhar
  • Contatar a redação Contatar a redação
    Seu nome:
    Seu e-mail:
    Nome do seu amigo:
    E-mail do seu amigo:
    Observações:
    Confirmação Código de confirmação (Recarregar imagem)
     

Diário Regional

Rua Professor Ivo Radtke, 68
Santa Cruz do Sul, RS

Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600


O Jornal | Fale Conosco | Assinaturas | Publicidade

Login | Web Mail

Valoriza Web