Como forma de reivindicar o piso salarial, parte dos professores optaram nessa segunda-feira, 21, pela adesão à greve. Assim como em todo o Estado, a adesão foi parcial. Conforme o coordenador da 6ª Coordenadoria Regional de Educação (CRE), Valdomiro Luiz da Rocha, em entrevista à Rádio Santa Cruz, na manhã de ontem, dos 18 municípios pertencentes a 6ª CRE, algumas escolas aderiram à paralisação.
Os quatro educandários de Santa Cruz do Sul, que inicialmente haviam feito a paralisação, voltaram às atividades parcialmente nesta terça-feira, 22. “A escola Luiz Dourado e a Ernesto Alves estavam com grande adesão, mas na noite de segunda-feira, parte dos professores voltaram para as salas de aula”, disse Valdomiro.
Para Valdomiro, a greve é desnecessária. “De todas as greves que presenciei, essa é inédita”, diz. “Porque este ano, o Cpers teve uma reunião com o secretário do Governador, na qual levaram 17 itens para serem discutidos. Desses, 16 o Governado do Estado atendeu”, acrescenta. “Inclusive o abono da greve feita em 2008 – realizada no Governo anterior. Em troca, o sindicato deixaria de discutir o piso nacional salarial de 2012”, completa.
Ainda segundo Valdomiro, a diretoria do Cpers havia levado a proposta para a Assembleia Geral da categoria no mês de abril deste ano. “E a categoria aceitou essa proposta”, pontua. “Agora nos surpreende a diretoria do Sindicato a nível estadual, mobilizar uma greve para reivindicar essa merecida indicação do salário nacional, quando havia sido feito um acordo para o ano que vem”, finaliza.
Segundo a diretora do 18º Núcleo do Cpers, Miriam Neumann, também em entrevista à Rádio Santa Cruz, o acordo do piso para 2012 nunca foi negociado. “O governador Tarso, quando em campanha, esteve num debate com o Cpers. Naquela ocasião afirmou que pagaria o piso, independente do julgamento do Supremo”, explica. “Inclusive afirmou que pagaria o piso para professores e funcionários - pois funcionários não estão inclusos e ele daria um jeito)”, enfatiza. “Afirmou também, que retiraria o processo que o governante anterior tinha imposto”, destaca.
De acordo com Miriam, nos meses de março e abril deste ano o Cpers negociou um aumento de 10,91% para toda a categoria, e em nenhum momento negociou o piso. “Ele ficou de apresentar o calendário para o piso e não apresentou”, lembra. “Hoje, estamos em greve, justamente num movimento democrático, lembrando ao Governador e a todos os políticos que, o que se promete em campanha tem que ser cumprido”, diz. “Existe uma lei e precisa ser cumprida. A lei é para todos, cumpra-se”, conclui.
Valdomiro acredita num diálogo com o Governo do Estado. “O Governo tem um comitê de diálogo permanente, e está sempre aberto a negociações”, ressalta. “Ele (o governo) já colocou no orçamento do ano que vem R$ 500 milhões para atender ao piso. Está garantido, mas será gradativo”, salienta.
Fonte: Luciana Mandler / Diário Regional
Data: 22/11/2011
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