A presidente Dilma Rousseff afirmou, ontem, durante entrevista n em Havana (Cuba) que a política de direitos humanos não pode ser transformada em "arma" de combate ideológico. Dilma ressaltou que era preciso discutir o assunto a partir do que ocorre em todos os países. E seguiu dizendoque desrespeitos aos direitos humanos ocorrem em todas as nações e citou como exemplo os denunciados na base americana de Guantánamo. A visita da presidente ocorre 11 dias após a morte do opositor cubano Wilman Villar, que morreu em meio a uma greve de fome pela qual protestava por ter sido condenado a quatro anos de prisão. O governo cubano, porém, diz que Vilar estava preso por ter espancado sua mulher e que ele recebeu tratamento médico adequado na prisão.
A visita tem como principal objetivo impulsionar as relações econômicas e a cooperação entre Brasil e Cuba. Em 2011, segundo o Ministério do Desenvolvimento, o intercâmbio comercial entre os dois países atingiu o valor recorde de US$ 642 milhões. O saldo é amplamente favorável ao Brasil, que tem superavit de US$ 458 milhões.
Dilma mencionou incentivos brasileiros à compra e produção de alimentos no país caribenho e o financiamento de quase US$ 700 milhões concedido pelo BNDES (Banco Nacional para o Desenvolvimento Econômico e Social) para a reforma do porto de Mariel, nos arredores de Havana. A visita ocorre uma semana após a liberação da última parcela do empréstimo à obra, executada pela empresa brasileira Odebrecht e prevista para terminar em 2014.
Os cubanos planejam transformar a região portuária de Mariel em um centro industrial. Um dos projetos é a construção de uma indústria de vidros na área. O assunto foi discutido em meados deste mês quando o ministro das Relações Exteriores, Antonio Patriota, foi a Havana e conversou com as autoridades cubanas.
A visita ao porto encerra a agenda oficial de Dilma em Cuba. Na manhã de hoje, ela embarca para o Haiti.
Fonte: Adolfo Nassur / Diário Regional
Data: 31/01/2012
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