Ermin Sijamija estava em casa em Sarajevo durante a Guerra da Bósnia (1992-1995), quando recebeu um telefonema de um ex-colega do ensino médio. Ele disse que era um franco-atirador sérvio que estava disparando contra muçulmanos bósnios de uma posição elevada localizada em um cruzamento local. Ele disse a Sijamija que acabara de vê-lo caminhando pela área. “Hoje eu o vi, mas não o matei”, disse o franco-atirador. “Mas, amanhã outra pessoa poderá fazer isso. Portanto, seja mais rápido, por favor.”
Sijamija ajuda a reencenar o conflito étnico que desfacelou a ex-Iugoslávia na estreia da atriz Angelina Jolie na direção, In the Land of Blood and Honey. O elenco inclui muitos atores que experimentaram em primeira mão a brutal guerra ocorrida no começo da década de 1990.
“Foi tudo muito comovente”, disse Jolie em uma entrevista concedida a jornalistas em Nova York, ladeada por Sijamija e seis outros membros do elenco. “Eu estava pedindo a eles que se lembrassem de coisas dolorosas.”
Jolie, que já conheceu muitos refugiados de guerra depois que foi nomeada embaixadora da boa vontade pela Organização das Nações Unidas (ONU), disse que o primeiro dia de filmagem foi o mais difícil. Foi quando ela rodou a cena em que um soldado sérvio estupra uma mulher bósnia diante de outras prisioneiras que haviam acabado de ser reunidas e destituídas de suas roupas e jóias sob um frio congelante.
“Foi chocante para todos”, lembra Jolie, 36. “Assim que eu disse ‘corta!’, Ermin abraçou a atriz que havia representado a vítima do estupro e se certificou de que ela estava bem. Em seguida, todos os outros homens pegaram as roupas e vestiram as mulheres. Isso marcou o tom.”
Jolie, adolescente quando a guerra começou, desconhecia o conflito antes de escrever e dirigir o filme, que estreou em 23 de dezembro em Nova York e Los Angeles. Ela ficou interessada no assunto por meio do trabalho que realiza para a ONU.
“Quanto mais eu ficava sabendo, mais eu ficava chocada, me sentindo culpada com quão pouco eu sabia”, disse ela. “Fiquei chocada com o tempo que tudo aquilo durou.”
Jolie rodou duas versões do filme, uma no idioma bósnio e outra em inglês. Ela diz que queria ampliar o público para que ele incluísse pessoas que não gostam de legendas. “Portanto, trabalhamos duas vezes e fizemos tudo duas vezes”, explica ela.
O filme gira em torna do relacionamento entre Danjiel (Gordan Kostic) e Ajla (Zana Marjanovic), um policial sérvio e uma artista muçulmana que namoram por um breve período antes da guerra. Após o início das batalhas étnicas, Ajla é feita prisioneira por soldados comandados por Danjiel.
Danjiel, cujo pai é um general sérvio cruel (Rade Serbedzija), protege Ajla de abusos por seus captores e mantém um caso secreto com ela. Mas o relacionamento dos dois é estremecido pela guerra e acaba terminando.
No filme, o general sérvio pressiona seu filho para que ele se transforme em um soldado mais linha-dura. O pai de Kostic também foi um comandante sérvio, mas deu a ele um conselho muito diferente quando o filho, que estava em Londres, perguntou se deveria voltar para casa durante a guerra. “Ele disse, ‘fique onde você está’”, lembra Kostic. “Vá atrás de sua felicidade em outro lugar.”
A atriz Zana Marjanovic viveu na Eslovênia com sua família durante a guerra. Ela diz que seus pais e avó não queriam se afastar muito porque achavam que a guerra acabaria rapidamente. “Eles estavam em estado de negação”, afirma ela. “É quando você começa a deixar muito rapidamente a infância e forma suas próprias opiniões. Você vê as coisas melhor que os adultos.”
Vanessa Glodjo, que faz a irmã de Ajla, foi ferida na perna quando sua casa em Sarajevo foi bombardeada durante a guerra. Certa noite, cerca de 30 combatentes bósnios se esconderam no porão fortificado de sua família, antes de partirem para proteger a cidade. Apenas dez sobreviveram. “Carrego sentimentos assustadores comigo”, diz ela.
Fonte: Rick Warner
Data: 03/02/2012
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