O que o governo de Israel quis fazer com o presidente brasileiro em visita oficial aquele país na semana passada foi envolvê-lo numa molecagem, ao colocar na agenda - de última hora - uma visita ao túmulo do fundador do sionismo, Theodor Herzl.
Ora, o sionismo foi considerado pela ONU como um movimento racista. É verdade que essa classificação foi revogada em 1991, por pressão dos Estados Unidos e o poderoso lóbi judeu daquele país. Mera formalidade diplomática, porque o sionismo hoje é sim a expressão política do ultranacionalismo judeu, dos interesses religiosos mais intolerantes, da direita protofascista, e da exclusão completa dos palestinos dos territórios de onde são originários.
O protocolo do governo israelense - hoje, totalmente hegemonizado pela extrema direita ultranacionalista e religiosa - incluiu há poucas semanas visita ao túmulo de Herzl. Lula, assim, seria o primeiro mandatário estrangeiro a visitar o mausoléu do ideólogo hebreu. Silvio Berlusconi visitou Israel e a Cisjordânia nos primeiros dias de fevereiro último. Ao primeiro-ministro italiano não foi imposto um protocolo açodado de visita a um símbolo tão controvertido como o mausoléu de Herzl.
A situação em Jerusalém e na Cisjordânia se agrava a cada hora. A intenção do governo fascista de Israel de construir casas para colonos judeus no lado leste de Jerusalém, bem como a reforma de um templo hebreu nas imediações de um lugar sagrado para o islamismo é o prefácio de uma nova escalada de morte e destruição. A Casa Branca já censurou o seu aliado Israel por causa dessas provocações perigosas. Mas o primeiro-ministro Bibi Netanyuahu, insuflado pelos líderes religiosos ultraortodoxos, seus aliados, insiste em continuar brincando com fogo ao lado de um paiol de pólvora.
Fonte: Por Wálmaro Paz, de Porto Alegre
Data: 22/03/2010
Diário RegionalRua Professor Ivo Radtke, 68 Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600
|