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Do planalto central para o berço da política de um país

Há 50 anos, surgia no meio do nada uma cidade de concreto, com linhas harmônicas e geniais. Do planalto central para o mundo, surge Brasília. A capital de um país liderada por um presidente bossa-nova e visionário, que transformou 50 anos em cinco durante seu mandato.


Com este lema Juscelino Kubitscheck, idealizou a capital brasileira e se transferiu, das orlas de Copacabana, no Rio de Janeiro, para o semi-árido brasileiro. Na época, o então presidente Juscelino, foi chamado de louco e visionário do nada, 50 anos depois muitos políticos concordam que era necessário o desbravamento do planalto central.


Muitos sabiam mas ninguém queria pôr o nome em um projeto que mais parecia um barco furado.
A questão é que desde muito cedo, outros países viam no Brasil a chance de desovar o superávit da população mundial, no cerrado brasileiro. Sabendo disso, Juscelino pôs tudo à prova e construiu as linhas assimétricas de Brasília, cidade esta que ele não viu pronta, acabada. Morreu em 1974, num trágico acidente de carro até hoje sem explicação.


Onde “tudo era igual” para qualquer lado que se olhasse uma viagem, que hoje pode se fazer em poucas horas, naquele tempo, quem saía de Anápolis, a 140 Km de Brasília, teria de comer muita poeira pelo caminho para, depois de 30 horas chegar na capital federal.


Os trabalhadores não sabiam se podiam mesmo acreditar na promessa da capital. Havia apenas uma pista de terra batida no Aeroporto de Vera Cruz, onde se localiza, atualmente, a Estação Rodoferroviária de Brasília e uma pequena pista de pouso na Fazenda do Gama.


Mas Juscelino foi lá e fez. Em uma das tantas entrevistas o então presidente falou “não sei se vão comigo para lá, mas o certo é que no dia 21 de abril eu estarei em Brasília”, disse ele.


Profética ou não a palavra de Juscelino se cumpriu e no dia 21 de abril nasceu Brasília. Hoje, entre concretos e políticos, a capital que ainda acalenta muitos sonhos de crescimento entre a população.

 

De Brasília para Santa Cruz, a cidade cresce de olho na Capital Federal

Santa Cruz, início da década de 60. Poucas árvores e ruas de chão batido. Assim era o cenário do pequeno município que já tinha no tabaco a sua principal base de economia.


Entre brancos, negros e índios, a cidade crescia sob o comando de Edmundo Hoppe, prefeito da então pacata Santa Cruz, não sem muitas dificuldades, mas com os olhos voltados para Brasília. “Nós líamos muito os jornais da época e acompanhávamos, assim como todos na cidade, a criação de Brasília. Aqui, como em todos os lugares do Rio Grande do Sul, todos criam que a criação de Brasília possibilitaria muita corrupção, por causa da compra de materiais para a sua construção”, lembra Maria Hoppe Kipper, filha de Edmundo, que na época era mais uma das tantas jovens santa-cruzenses.


De acordo com Maria, hoje chefe de gabinete do Reitor da Unisc, a cidade tinha poucos prédios, a praça ainda era muito pequena e com algumas árvores, mas seu pai ajudou a mudar os rumos de Santa Cruz, enquanto Kubitscheck, no outro lado do país, criava Brasília. “Meu pai criou um plano de asfaltamento para as ruas da cidade, que ainda eram de chão batido, acredito que só a via central era calçada”, frisa ela.


O pai e prefeito Hoppe, era ligado ao Partido Libertador, ligado ao PSD no Estado, mas este último em pouco concordava com as ações do PSD nacional, por isso a desconfiança na criação de Brasília.


Crescimento - Enquanto compassos desenhavam as linhas de Brasília, Santa Cruz possuía poucos prédios mas todos eles de grande importância para o município. “Tínhamos o Hotel Charrua, o Colégio das Irmãs e o Hospital Santa Cruz, que possuíam três andares e eram os edifícios da época”, destaca Maria.


Assim como Brasília, o município cresceu, exportou mão de obra para a capital federal e hoje é referência em ensino superior no país por abrigar a Unisc, que nasceu um pouco depois de Brasília.
 

Fonte: Por Juciele Paz, Diário Regional

Data: 20/04/2010


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  • A capital do fumo também crescia a passos largos no Estado (Foto: Arquivo da Unisc)

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