Um mundo na contramão da realidade atual. Essa é a proposta do Centro de Apoio ao Pequeno Agricultor (Capa), que há exatos 10 anos criava a Cooperativa Ecovale. Para comemorar o sucesso tanto dos produtores quanto da aceitação dos produtos no mercado, a cooperativa organizou um encontro neste domingo, na Comunidade Evangélica Martin Luther, em Santa Cruz do Sul.
"Hoje temos em torno de 65 produtores e boa parte deles é formada por mulheres", contabiliza o coordenador do Capa de Santa Cruz, Sighard Hermany. De acordo com ele, o trabalho junto aos pequenos agricultores do Vale do Rio Pardo serve como motivação para a sustentabilidade sem o uso de aditivos químicos. "É uma produção exclusivamente ecológica desde o plantio até o processamento e embalagem", completa.
Segundo o coordenador, e a Ecovale foi criada em 12 de agosto de 2000, mas pela coincidência com o dia dos pais, o grupo resolveu realizar a confraternização no primeiro domingo do mês. "É comum que a gente se reúna sempre no primeiro fim de semana do mês de agosto", destaca. Após o culto evangélico, os cooperados participaram de um almoço e a apresentação de uma banda, formada por filhos de agricultores – a Samambaia Azul – "Tem tudo haver com a nossa proposta", brinca Sighard.
Não à revolução verde
Movimento criado nos anos de 1970, no período pós-guerras, como uma solução para a segurança alimentar mundial – no combate à falta de alimentos – o processo consiste em técnicas de produção, com o uso de insumos químicos, que agridem o meio ambiente e a saúde dos consumidores.
"Estamos na contramão disso", explica o Secretário de agricultura Ademir Santin. Segundo ele, a produção ecológica é um desafio muito grande. "Uma quebra de paradigmas", completa o Secretário.
Santin garante que é papel da Secretaria da Agricultura promover técnicas e ações para incentivar a produção verde, livre de agrotóxicos. "Estamos em busca de ações em parceria com o Capa e a Emater para expandir esses bons resultados", pontua.
Mais de 15 anos de produtos naturais
A família de seu Álvaro Luettjohann é um exemplo de sustentabilidade em prol do meio ambiente e de uma vida mais saudável. Em Candelária, onde eles têm a propriedade, já faz 15 anos que os adubos e aditivos químicos foram riscados do mapa. "É muito bom e rentável. Vale à pena curar o solo e produzir de maneira natural", conta o agricultor.
Na propriedade, eles produzem milho para farinha e vários tipos de feijões. "Agora usamos adubo orgânico, conseguido dentro da propriedade", conclui, ao dizer que frutas como ameixas, pêssegos e citros – limão, laranja e bergamota – estão na conta dos produtos sem agrotóxicos dos Luettjohann.
O coletivismo deve ser celebrado, diz pastor
Presidida pelo Pastor Sinodal Waldir Trebien, o culto em Ação de Graças aos 10 anos da Ecovale remonta o verdadeiro sentido do cooperativismo, a união de famílias. "Isso contribui para o convívio entre as famílias rurais é muito positivo", avalia o pastor.
Segundo o pastor Waldir, o próprio Centro de Apoio ao Agricultor é uma iniciativa do Sínodo Centro-Campanha-Sul. "Estamos muito felizes, e que seja abençoada a Ecovale".
Fonte: Rodrigo Nascimento / Diário Regional
Data: 01/08/2010
Sighard e seus produtos “verdes”
Para o secretário de agricultura, produzir sem agrotóxicos é quebrar paradigmas
Nas terras de Álvaro, a produção é limpa
Pastor Waldir: “É uma forma de viver em comunidade”Diário RegionalRua Professor Ivo Radtke, 68 Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600
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