A comprovação laboratorial de três casos de raiva bovina na cidade de Passo do Sobrado coloca em alerta as cidades próximas ao foco. Com isso, a medida preventiva a ser tomada deve ser a vacinação dos animais que podem ser contaminados.
Segundo a veterinária responsável pela vigilância sanitária em Venâncio Aires, Lea Ferreira, o surto de raiva vem ocorrendo com mais força desde abril. “Estamos divulgando esses casos para que os proprietários de animais realizem a vacinação dos mesmos, pois muitos bovinos continuam morrendo”, afirma.
Os números informados pela veterinária são: um caso no mês de abril, um entre os meses de maio e junho, e o mais recente foi na semana passada. “Esses casos foram comprovados clinicamente”, diz. Além destes, existem outros dez casos que são suspeitas clínicas, onde o foco e os sintomas são compatíveis.
Enquanto os locais onde os morcegos se alojam estão sendo procurados como medida de prevenção, a inspetoria veterinária do município irá realizar a vacinação de todos os animais das proximidades dos locais onde os casos foram confirmados. Isso porque a vacina leva em torno de 10 dias para fazer efeito. O restante da população deve adquirir a vacina em agropecuária. “Estamos realizando este trabalho de conscientização, para que os produtores vacinem os seus animais”, explica.
Raiva Silvestre: Bovinos e equinos
O morcego transmissor da raiva vive em locais escuros e sai à noite para atacar o gado. Contamina com a mordida os animais que não estão vacinados.
Segundo o médico veterinário Cássio Ricardo Peiter, a infecção acomete o sistema nervoso, dando uma espécie de hemorragia.
Os sintomas da raiva em bovinos são variados, e o período desde a infecção até a morte do animal pode ser demorado, de uma a duas semanas. “Normalmente o animal fica com dificuldade de caminhar, com as pernas traseiras bambas até que paralisam. Então ele para de comer, em função da mandíbula que fica travada, por isso ele também baba em demasia. Mais adiante ele senta e não levanta mais. Por fim, deita de lado, esticado e morre”, explica Peiter.
Peiter orienta para que, se houver algum caso suspeito nas proximidades deve-se fazer a vacinação, pois a precaução é fundamental. O ideal é que vacine os animais anualmente para mantê-los livres da contaminação. “A vacina custa centavos, quando o gado vale quase dois mil reais”, argumenta.
Em Santa Cruz - Conforme o veterinário da inspetoria veterinária da Prefeitura Municipal, Hermann E. A. Bruchmann, há cerca de 90 dias um animal com suspeita de infecção foi tratado e se curou, ou seja, não era Raiva. “Existem sintomas que coincidem com outras doenças, portanto, quando o animal recebe o acompanhamento devido, ele pode se recuperar. Isso se não for Raiva, pois esta é 100% letal ao contaminado”, esclarece.
Atualmente, são três casos suspeitos, dos quais a evolução está sendo acompanhada. “Alertamos os produtores para que observem os animais. Se encontrarem marcas de mordida e sangue, devem procurar a inspetoria para avaliar as lesões”. Além disso, pedimos cuidado no manuseio de animais que aparentam estar doentes. “A contaminação ao ser humano pode ocorrer pelo simples contato com saliva ou sangue do animal, isso em caso de lesão aberta”, revela.
O diagnóstico oficial de contágio é comprovado somente após a morte do animal, quando então é retirado o cérebro dele para análise.
Vacinação - Deve ser realizada uma dose. Caso o animal nunca tenha sido vacinado, é necessária uma 2ª dose, em 30 dias. Para animal recém nascido, a 1ª dose é feita aos 90 dias de vida, e o reforço após um mês. “Devemos lembrar que a vacina faz efeito após certo período, assim como nos humanos”, pontua Hermann.
Raiva Urbana: Cães, gatos e humanos
Em animais domésticos os sintomas e cuidados são diferentes. Conforme o veterinário responsável pela vigilância sanitária em Santa Cruz do Sul, Paulo César Rutkowski, após a pessoa ser mordida por um cão ou gato, deve observar o animal por cerca de 10 dias. Percebendo alguma mudança no seu comportamento, é necessário que se tome uma série de vacinas para anular o efeito do contágio, lembrando que só se contamina aquele que tem contato com a saliva do animal.
Ao contrário do que alguns fazem, Paulo orienta a não matar o animal. “Sem o período de observação, não é possível comprovar a infecção ou não pela raiva. Sendo assim, a pessoa deverá, imediatamente, se submeter às vacinas que podem ser doloridas e causar efeitos colaterais”, alerta.
O vírus que está circulando na região pode infectar também cães, gatos e seres humanos, “pois o morcego hematófilo, transmissor da Raiva, é o mesmo em todas as situações”, revela.
É importante observar o comportamento dos bichos, principalmente ao fato de eles não se alimentarem, pararem de ingerir água e emagrecerem. “A providência inicial é chamar um veterinário de confiança para examinar o animal”, indica.
É fato também que o animal fica nervoso e pode atacar. Ao longo dos dez dias de observação ele também baba excessivamente.
Na cidade, foram registradas, em 2009, 335 mordidas de cães. Nos meses iniciais de 2010 já foram 120 casos.
Fonte: Juliana Müller / Diário Regional
Data: 25/08/2010
Criadores devem estar atentos para mudanças no comportamento dos animais
Cães também devem receber a vacina antirrábica para não serem contaminadosDiário RegionalRua Professor Ivo Radtke, 68 Telefone: (51) 3053 1010 - 3711 2600
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