O primeiro fim de semana da Feira do Livro de Santa Cruz do Sul contabiliza um saldo positivo, apesar da chuva que caiu insistentemente desde a abertura do evento, na manhã de sábado. Segundo a organização, foram vendidos 4.456 livros e 316 maletas, com coleções de livros infantis. Aproximadamente, 7 mil pessoas visitaram a Praça Getúlio Vargas nos dois primeiros dias da Feira.
Para o pequeno Rafael, de apenas 6 anos de idade, a distância entre Santa Cruz e Monte Alverne parece não existir. Na companhia da mãe Andréia, muito antes de aprender a ler, ele frequenta a Feira do Livro. “Estamos com a sacola cheia”, diz Andréia. Segundo ela, é papel dela e do marido incentivar a leitura. “Antes dele aprender a gente contava, agora ele começa a identificar algumas palavras nos livros e isso é muito bom”. A dupla volta para o interior com um mundo de saber e conhecimento, que cabe dentro de uma sacola.
Segundo o livreiro André Vaz, que veio de Santa Maria para a Feira de Santa Cruz, o movimento do fim de semana está satisfatório. “Não é aquilo que esperávamos, mas vai ficar bom”, prevê. As condições do clima e o fato do primeiro fim de semana da Feira ser ainda no fim do mês de agosto contribuem para a baixa venda. “A gente não vende livros infantis, mas vê que o maior movimento é nas bancas que atendem às crianças”, completa André. Nesta segunda-feira, a Feira do Livro abre às 9 horas e segue até ás 19, sem fechar ao meio-dia.
A abertura
O sábado foi o dia escolhido para dar o pontapé inicial na exposição e comercialização de livros, no maior evento cultural relacionado à literatura em Santa Cruz do Sul. Com as 25 bancas apostas, a gerente do Sesc Santa Cruz, Roberta Pereira fez seu discurso carregado de emoção e expectativa, para a edição de 2010. “Não há Feira do Livro sem chuva”, brinca Roberta, ao dizer que sempre pede a São Pedro uns dias mais secos para a realização do evento.
De acordo com ela, a Feira do Livro é o maior evento cultural promovido pelo Sesc, que tem também a parceria da Universidade de Santa Cruz do Sul e da Prefeitura Municipal. “Eu sempre me emociono muito, é um trabalho de um ano que começa hoje e vai até o dia 5”, pontua Roberta.
Para o Reitor da Unisc, professor Vilmar Thomé, os índices que colocam o Brasil entre os países em desenvolvimento devem ser os mesmos que pontuam o desempenho do país no quesito educação. “Hoje, crescemos muito na economia, e vamos continuar crescendo, mas a educação ainda é um ponto que devemos melhorar”, disse Thomé, ao relacionar a Feria do Livro como um momento de promoção da educação, por meio da leitura.
A 23ª Feira do Livro de Santa Cruz do Sul acontece na Praça Getúlio Vargas, no Centro até o próximo domingo, dia 5.
O primeiro autógrafo
Mal havia começado a Feira e o primeiro de muitos autógrafos que serão dados no evento já foi realizado. O pequeno Henrique Andriolo, aluno da quarta série da Escola Educar-se, acompanhado dos colegas – que ilustraram a obra – dão também suas primeiras assinaturas.
O livro “Poderes Modernos” nasceu de uma atividade em sala de aula, quando ele tinha apenas 7 anos. “A professora fez uma atividade textual com eles, na qual, cada aluno recebeu uma folha para escrever”, conta a mãe de Henrique, Marlene, que diz que nos dias seguintes, o filho sempre pedia uma folha a mais. “Assim nasceu a história”.
Em outra atividade, agora com 9 anos, Henrique e seus colegas de aula ilustraram o trabalho feito em partes há dois anos e os pais, resolveram publicar como livro, a história que tem como inspiração os próprios colegas de turma de Henrique.
Poucas palavras e muitas histórias
O autor homenageado da Feira do Livro, o médico Leonardo Brasiliense, natural de São Gabriel, diz estar encantado com acolhida recebida em Santa Cruz. “Moro aqui desde 2008, quando fui, para minha surpresa, convidado para participar de um evento de autores locais”, recorda.
Brasiliense que não trabalha com as letras, diz ter descoberto a paixão numa noite de 1994. “Eu escrevi o que depois descobri que era um miniconto”, explica. Hoje, uma de suas especialidades, ele já lançou seis livros e diz ter outros projetos. “Não sou muito de falar”, timidamente confessa o autor homenageado.
Fonte: Rodrigo Nascimento / Diário Regional
Data: 29/08/2010



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