O anúncio foi feito ontem, pelo Ministro do Planejamento, Paulo Bernardo. Segundo a proposta do Orçamento Federal entregue ao Congresso, o salário mínimo deve subir em 5,51%, podendo chegar a R$ 538,15 no próximo ano. Proposta será analisada e encaminhada para votação.
“O salário mínimo tem as mesmas regras dos anos anteriores: reajuste igual à inflação com o aumento real correspondente ao PIB. Nesse caso, todos sabem que no ano passado o PIB teve queda”, explica o Ministro Paulo Bernardo após entregar a proposta para o presidente do Congresso Nacional, senador José Sarney (PMDB-AP).
O ministro destacou que a regra de reajuste, negociada inclusive com as centrais sindicais, é coerente e garantirá no futuro ganhos reais constantes para os trabalhadores que recebem o salário mínimo. “É bom lembrar que o Ministério da Fazenda está prevendo um aumento do PIB de 7% para 2010. Portanto, o próximo - de 2012 - deverá ser reajustado por esse critério também”.
Segundo o economista do departamento de Ciências Econômicas da Unisc, professor Oscar Gresse Siqueira, o índice de inflação usado para calcular o reajuste do salário mínimo é o IPC-A (índice de preços ao consumidor ampliado), que leva em conta famílias que ganham até 40 salários por mês. “Esse cálculo é feito nas seis maiores regiões do país”, completa Siqueira.
Considerando as perdas acumuladas ao longo dos anos, segundo o economista, o salário mínimo tem crescido nos últimos anos. “Hoje temos um salário mínimo que está na faixa dos 300 dólares”, compara Siqueira. Segundo ele, com o reajuste, o poder de compra, principalmente de quem vive com a renda mínima aumenta além da reposição da inflação. “Cada Real a mais no orçamento representa mais poder de compra”, contabiliza o professor, ao dizer que a compra do leite – um litro por dia – pode ser financiada através desse aumento.
Possibilidade de investimento
Segundo o cálculo do economista, um aumento de R$ 28,15 no ganho mensal pode representar além da garantia da alimentação, a oportunidade da aquisição de bens duráveis. “Tomando como base o valor da cesta básica de Porto Alegre, uma das mais caras, o consumidor gasta em torno de 180 Reais”, conta Oscar Siqueira. Assim, sobra mais da metade do salário para a compra e o investimento. “O trabalhador consegue comprar a prestação, pequenas coisas, sem comprometer o salário e isso representa um ganho”, pontua.
Fonte: Rodrigo Nascimento / Diário Regional
Data: 31/08/2010
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