Nesta quinta-feira é comemorado o dia do Repórter Fotográfico. Este profissional consegue captar imagens que podem ser de fatos políticos, históricos, sociais, esportivos, culturais, da natureza, dentre outras facetas como alegria, sofrimento, dor e esperança.
A fotografia é importante para a atividade jornalística, pois serve para complementar a ideia do texto, bem como comprovar a veracidade dos fatos. Conforme o professor de fotografia da Universidade de Santa Cruz do Sul (Unisc), Alexandre Davi Borges, a foto reportagem pode se encaminhar em três eixos. Mas hoje falará de um deles, o central, a foto reportagem ligada a foto jornalismo, “que está muito relacionado à prática do fotógrafo de ser veloz, atento, e de conseguir, através disso, um bom conjunto de imagens”, explica. Isso, porque a foto reportagem se consolida como um conjunto de imagens.
O professor lembra ainda que houve um período da história da foto jornalismo que basicamente haviam muitas revistas fotográficas que eram fotos reportagens, onde o texto aparecia como um detalhe muito pequeno da composição da revista. “O auge foi pela década de 30, mas teve um declínio na década de 50, quando surgiu a televisão e desvio de verbas publicitárias para a TV”, lembra Borges.
Essa tradição da foto reportagem está relacionada ao jornalismo e como prática requer que o sujeito esteja atento, que ele tenha filin para sentir as ações e tenha também capacidade de síntese. “Ele tem que explicar a ação pelo conjunto, precisa ainda de velocidade e adequação do foco”, pontua Alexandre.
A partir deste enfoque considerado central, o professor de fotografia acredita que possa traçar mais dois enfoques, dois caminhos diferentes em relação a isso, ou seja, um caminho anterior, “que trata de uma imparcialidade um pouco maior, que é no caso do meu metiê, a fotografia criminalística”, acrescenta.
Ao ver de Alexandre, a fotografia criminalística é uma foto reportagem, pois ela é uma história contada através de fotografias, e essa história deve ser essencialmente imparcial, ou seja, aquele fato narrado. “Deve ser narrado com a imparcialidade maior possível, para que as pessoas, nesse caso os delegados, os juízes, não fiquem impactados com uma distorção proposta pelo fotógrafo”, esclarece.
Borges salienta que não se fala em uma imparcialidade total, “há sempre uma parcialidade, que é natural da fotografia, que começa na escolha do que fotografar, qual enquadramento colocar”. Isso já da um recorte de imparcialidade.
Para finalizar, o professor coloca que um dos grandes problemas na foto jornalismo atual é o espaço para o mesmo. “Não há espaço a não ser que seja um “grande furo de reportagem” para que várias fotos saiam no jornal. Tanto é que quando você vê as fotos, elas são menores, colocadas no espaço que seria de uma foto”, conclui.
A foto sem sombra de dúvidas, com pequeno ou grande espaço sempre será necessária, pois em alguns casos falam mais do que mil palavras.
Fonte: Daiana Carpes / Diário Regional
Data: 01/09/2010
Professor Alexandre Borges
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