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Anvisa proíbe uso do agrotóxico triclorfom no Brasil

O agrotóxico triclorfom não poderá mais ser utilizado no Brasil. É o que determina a Resolução RDC 37/2010 da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa), publicada no último dia18. O produto deverá ser retirado do mercado nacional imediatamente.


A decisão da Anvisa é fundamentada em estudos toxicológicos que associam o uso da à substância a problemas de hipoplasia cerebral e efeitos adversos sobre a reprodução e o sistema hormonal humano (desregulação endócrina). O triclorfom era autorizado para o uso em mais de 45 culturas como: arroz, alface, feijão, tomate e milho. As importações do produto também estão proibidas.


Já o agrotóxico fosmete foi reclassificado como extremamente tóxico. Este ingrediente ativo, autorizado para uso nas culturas de citros, maçã e pêssego, é considerado neurotóxico e é capaz de provocar a síndrome intermediária (caracterizada por fraqueza e insuficiência respiratória).


Outras restrições indicadas para o produto são: a diminuição da ingestão diária aceitável de 0,01 para 0,005 mg para cada quilo de peso corpóreo e autorização da aplicação do agrotóxico apenas por meio de trator. Os agrotóxicos a base de fosmete só poderão ser comercializados em embalagens hidrossolúveis dispostas em sacos metalizados. Além disso, nenhuma nova cultura poderá ser autorizada para o uso do referido agrotóxico.

 

Segunda avaliação

As ações estabelecidas são resultado do trabalho de reavaliação toxicológica dos agrotóxicos pela Anvisa. A Agência realiza esse trabalho sempre que existe algum alerta nacional ou internacional sobre o perigo dessas substâncias para a saúde humana. Em 2008, a Agência colocou em reavaliação 14 ingredientes ativos de agrotóxicos.


Juntos, esses 14 ingredientes representam 1,4 % das 431 moléculas autorizadas para serem utilizadas como agrotóxicos no Brasil. Entretanto, uma série de decisões judiciais, também em 2008, impediram, por quase um ano, a Anvisa de realizar a reavaliação desses ingredientes ativo.


“Região está apta à adubação orgânica”, diz técnico agrícola da Emater

Para o técnico agrícola Paulo Zampiere, da Emater/RS – Ascar de Santa Cruz do Sul, há muito tempo que os dois produtos, agora fora de comercialização, deixaram de fazer parte da produção da região. “Acredito que devido à periculosidade que os dois agrotóxicos representam à saúde é que eles deixaram de circular”.


O técnico explica que com uma adubação orgânica adequada é possível fazer um equilíbrio nutricional do solo e ainda eliminar de 70 a 80% das pragas, que os agrotóxicos matariam. “A planta é atacada pelos insetos quando está com deficiência de micro ou macro nutrientes”, completa. Zampiere recomenda ainda que para a extinção das pragas, uma rotação de culturas é crucial. “É muito bom para as hortaliças, que se plante na mesma terra, culturas de famílias diferentes”, pontua.


 

Fonte: César Dutra / Diário Regional

Data: 01/09/2010


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