O Brasil é, indubitavelmente, um país de contrastes, mormente em se tratando de legislação e de política.
É de pasmar que, ao mesmo tempo em que se pleiteia uma lei para descriminalizar o aborto, se aprove outra que criminalize a palmada educativa. Não é contrasenso?
O perigo da criminalização da palmada não está no vigor educativo da mesma, nem de seu eventual valor deseducativo. O problema se situa na invasão indevida do poder público no santuário da vida, que é a família. Hoje propõe-se punir quem se serve da palmada para corrigir seus filhos. Amanhã, com o mesmo argumento pedagógico, se violentará o lar de quem altear a voz para reclamar de algo errado em casa. Depois se criminalizará qualquer castigo ou simplesmente o fato de tentar corrigir os filhos. Terminar-se-á determinado, sob severas sanções, o número máximo de filhos que será permitido ter e o métodos de evitá-los.
Todos sabemos que não é por leis que se educa. Se no lar não houver amor, nenhuma lei terá sucesso. Se, ao invés, ali reinar amor, não será necessária a lei para interferir na educação. A natureza ensina muito melhor que as legislações civis. A Invasão dos lares pelo poder público deve ser veementemente denunciado como ideologia funesta para a educação e para a harmonia dos lares.. É sintoma de totalitarismo, que destrói a convivência humana.
O pior da criminalização da educação do lar é a destruição dos próprios lares brasileiros com uma invasão desalmada. Basta pensar na discórdia e na anarquia que nela se implantará a partir de denúncias que eventualmente se fizerem. A família sai destroçada.
Uns contra os outros, com o aval das autoridades públicas, verdadeiras inimigas da família, punindo a quem tentar, de agora em diante, educar de modo diferente dos ditames oficiais e ideológicos.
A palmada não é método educativo? Seja! Mas criminalizar quem a usar será mais educativo? Não tira a autoridade dos pais sobre os filhos e lhes dita normas jurídicas para educar? Chegará o tempo, se assim continuarmos a devassar os lares, que ninguém mais ousará ter filhos, porque não terá condições nem de amá-los nem de educá-los. O compromisso do enlace matrimonial, de receber com amor os filhos que Deus lhes confiar e de educá-los adequadamente, recebeu um grave golpe, não pela supressão da palmada, mas pela criminalização de atos educativos no interior do lar. O lar perdeu a característica de aconchego e de inviolabilidade. A lei criminal joga filhos e vizinhos contra os educadores para puni-los por discordarem dos métodos legais, aprovados por um Estado invasor.
Não defendemos a palmada, mas repudiamos a legislação que se aventura penetrar no lar para dividi-lo e criminalizá-lo por métodos que deveriam promanar da educação e não da punição. O Presidente Jânio Quadros, no seu breve mandato à frente da nação, diria que os promotores desta lei mereceriam uma boa palmada naquela parte que o Criador fez expressamente para isso!
Fonte: Dom Dadeus Grings
Data: 03/09/2010
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